quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A dupla jornada de trabalho da mulher


A divisão do trabalho surgiu como uma forma de organização na sociedade capitalista. Essa divisão também é determinada sexualmente, isto é, há uma diferença no que é considerado o trabalho do homem e no trabalho da mulher, bem como o valor atribuído de maneira diferente para os trabalhos desempenhados por ambos.
A esfera privada do trabalho abarca os trabalhos considerados do lar e caracterizados como trabalhos que não agregam valor, enquanto a esfera pública de trabalho são os assalariados, executados fora de casa, produtivos e criadores de valor, o que contribui para a não valorização do trabalho doméstico, tão exaustivo e importante quanto o trabalho na esfera pública.
A mulher, na sociedade patriarcal, sempre foi destinada aos assuntos do lar, confinada no âmbito privado, administrando a casa, os filhos, a limpeza, alimentação de todos, preservando assim, o confinamento da mulher e a hegemonia masculina na sociedade onde apenas o homem podia se ocupar da espera pública do trabalho, o trabalho fora de casa que traz a renda da família e sustenta a mulher que sem visibilidade, apenas faz a manutenção da vida privada masculina.
No início do século XX as mulheres começam inúmeras mobilizações a favor da igualdade de gênero. Desde então obtiveram muito êxito com, por exemplo, a reivindicação do voto feminino em eleições, liberdade sexual, salários mais justos para as mulheres que passavam a ingressar o campo público de trabalho, entre outras coisas.
Embora a mulher tenha alcançado a esfera do trabalho público no início do século passado, ela começou em campos limitados e ditos como aptos às suas vocações naturais, como cuidar dos enfermos ou educar crianças. Conforme grandes crises econômicas mundiais se desenrolaram, a sociedade se viu obrigada a aceitar a mulher em postos antes ocupados por homens. Entretanto, para desempenhar o mesmo trabalho, elas recebem remunerações menores. Além disso, as tarefas do ambiente privado permanecem sob sua responsabilidade.
A partir daí as mulheres passam a exercer a dupla função: em casa, ao cuidar da manutenção do lar em geral, criação e cuidados com as crianças, entre outras coisas, e em trabalhos assalariados contribuindo para a renda familiar. Além disso, o acumulo de funções causa impactos negativos na vida da mulher: estresse, desgaste físico e emocional e problemas de saúde são apenas alguns exemplos.
É preciso desconstruir o pensamento da naturalização desse tipo de trabalho às mulheres. Apenas com a repartição igual de tarefas domiciliares será possível proporcionar mudança no quadro das desigualdades e proporcionar a mulher tempo com qualidade de vida para inclusive, conseguir se engajar na vida política do País.

Fonte: www.fundacao1demaio.org.br

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