Nos dias 18 e 19 de agosto, a Fundação 1º de Maio realizou o Grupo de Trabalho da Secretaria da Mulher, onde foram discutidos os problemas enfrentados pelas mulheres dentro do ambiente político, trabalhista e privado.
O sufrágio feminino, ou seja, o direito das mulheres ao voto foi conquistado em 1932. Ainda assim, a representatividade política das mulheres continua muito baixa. No Brasil, apenas 8,6% dos cargos elegíveis dentro da Câmara dos Deputados é ocupado por mulheres. No Senado, a porcentagem sobe para 16%. Se levarmos em consideração que as mulheres representam 51,6% da população brasileira, esse índice se torna ainda mais significativo: para 48,4% dos homens, a representação nos espaços federais de poder equivale a 91,4% na Câmara e 84% no Senado.
No ambiente de trabalho as mulheres também sofrem com as diferenças de salários e cargos hierarquicamente mais altos. A média brasileira de salário para mulheres ainda é cerca de 74% do salário de um homem. Isso significa que se um homem recebe R$ 1.000,00 por mês, uma mulher, ocupando o mesmo cargo e exercendo as mesmas funções, receberia apenas R$ 740,00. Se analisarmos a amostra das mulheres negras, essa diferença aumenta ainda mais: elas recebem 40% do que homens. Essa discriminação de gênero implica em mulheres ocupando cargos em empregos precários, recebendo salários baixos e que restringem o acesso a bens de consumo.
No âmbito privado, questões como o estupro, a violência doméstica e a violência médica também foram temas das discussões. Uma das maiores bandeiras levantadas pelas mulheres foi a falta de capacitação do corpo médico no tratamento de mulheres, dentre eles, a violência obstétrica, os diagnósticos tardios de câncer e endometriose e a demora no acesso a médicos especializados.
Uma em cada quatro mulheres sofrem com a violência obstétrica, seja psicológica ou física. Não são raros os casos em que o médico faz a episiotomia (um corte cirúrgico na região vaginal quando o espaço para o parto é pouco) de forma desnecessária. Antigamente, esse tipo de procedimento era rotineiro, hoje, apesar da orientação ter mudado, um grande número de médicos ainda o fazem sem o consentimento da grávida. Além disso, o Brasil é campão mundial em realização de cesárias, chegando a somatória de 43% dos nascimentos (80% se contabilizados somente os da rede privada), enquanto o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de apenas 15%.
A violência doméstica também foi pauta do Grupo de Trabalho. Apesar da Lei Maria da Penha ser referência mundial no combate a esse tipo de violência, o Brasil segue enfrentando péssimos números nesse combate. Três a cada cinco mulheres afirmam ter sofrido algum tipo de violência do parceiro e 56% dos homens admitem já ter cometido algum tipo de agressão, seja física, moral, patrimonial, psicológica ou sexual. No caso dos estupros, no Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, sendo que a maioria dos casos acontecem dentro de casa.
Ainda temos muito para construir quando o assunto equidade e igualdade entre os gêneros. Políticas públicas que capacitem e empoderem as mulheres são necessárias para que possamos transformar o Brasil num País de todos, em que homens e mulheres possam competir em pé de igualdade no mercado de trabalho e que mulheres tenham seus direitos básicos respeitados.
Fonte: fundacao1demaio.org.br