Embora tenha avançado em questões sociais na última década, o Brasil ainda precisa melhorar muito no que se trata de saneamento básico. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Trata Brasil no ano de 2015 revela que caso a implantação do serviço de água e esgoto continue no mesmo ritmo, o País não conseguirá universalizar o sistema nos próximos 20 anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística afirmam que hoje 98% da população brasileira tem acesso à água potável, porém, 17% desse total não possui água encanada em casa, tendo acesso apenas por meio de rios, cisternas e poços artesianos. A população com acesso a esgoto tratado é ainda menor, 79% até 2010, o que revela uma grande parcela de pessoas que vivem próximas a esgotos a céu aberto. Esses fatos ajudam na proliferação de bactérias e alastramento de doenças.
Conforme informações do Instituto, 53% das internações por diarreia no Brasil são de crianças menores de cinco anos que não têm acesso a saneamento básico de qualidade. Isso gera um custo de R$ 140 milhões ao ano para o Sistema Único de Saúde.
Outro fato que deve ser levado em conta é a quantidade de lixo que produzimos. Cada brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo por dia, o que significa ao menos 200 mil toneladas de resíduos depositados diariamente no meio ambiente, muitas vezes de forma inadequada, o que causa a contaminação do solo.
Em regiões mais pobres, onde há a falta de saneamento, a proliferação de bactérias ocorre de forma endêmica. Isso faz com que a falta do serviço seja um dos principais problemas ligados à saúde pública no País.
Ainda segundo dados da pesquisa do Instituto Terra, os municípios brasileiros que mais gastam com doenças diarreicas e que possuem condições precárias de saneamento básico são: Ananindeua, no Pará; Belford Roxo, no Rio de Janeiro; Anápolis, em Goiás; Belém, capital do Pará; Várzea Grande, no Mato Grosso; Vitória da Conquista, na Bahia; Campina Grande, na Paraíba; Santarém, no Pará; Maceió, capital de Alagoas e João Pessoa, capital da Paraíba.
Um outro problema é que grande parte da água que abastece a população é desperdiçada em vazamentos e ligações clandestinas. Isso faz com que o valor que poderia ser investido em melhorias na rede seja gasto com manutenção e combate a essas práticas. Dessa forma, a modernização do sistema é adiada e o avanço nessa área ocorre de forma lenta, não acompanhando o crescimento da população.
É importante que o Estado melhore o investimento em saneamento e as empresas responsáveis pela prestação do serviço à população melhorem sua estratégia de trabalho. Porém, a população não pode deixar de fazer sua parte, descartando resíduos de forma correta e exigindo das autoridades competentes ações efetivas.
Fonte: www.fundacao1demaio.org.br

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