O Conselho Nacional de Educação Financeira (CONEF), lançou no último dia 17 a Terceira Semana de Educação Financeira. Este evento tem como objetivo passar orientações aos brasileiros sobre como se livrar das dívidas e viver de acordo com a renda. Foram disponibilizados vários insumos (Cursos e palestras presenciais e online, manuais, etc.). Parte desse material ficará disponível mesmo com o fim do evento. A necessidade de realizar campanhas desse porte passa pelo fato de que a população, em sua maioria, ainda tem enormes dificuldades em administrar dinheiro.
Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), apontam que quase um terço da população é comedida, ou seja, se planeja antes de gastar, quita suas faturas em dia e segue os limites do próprio orçamento. Outro estudo realizado pela Serasa Experian mostra que, em matéria de conhecimento acerca de educação financeira, numa escala de zero a dez, o brasileiro tira nota cinco.
Essa nota, segundo os responsáveis pelo estudo, mostra que o brasileiro não planeja o futuro, ele gasta mais do que ganha, uma atitude que sobre o parâmetro da educação financeira, beira a irresponsabilidade e se reflete na quantidade de endividados. Levantamento da SPC Brasil, em conjunto com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), aponta que no último mês, o número de brasileiros com o nome sujo chegou a 59,2 milhões, o que representa 40% das pessoas com faixa etária entre 18 e 95 anos.
Outro componente que influencia no descontrole das finanças é o uso do cartão de crédito com eventual dificuldade de honrar os compromissos dentro do prazo estabelecido. De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média de juros no cartão de crédito cresceu 435,6% em abril e se manteve no maior patamar desde outubro de 1995.
Segundo a economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, o brasileiro é historicamente conhecido por poupar pouco. “Os motivos que fazem com que o brasileiro tenha uma das menores taxas de poupança do mundo são culturais. Na China, por exemplo, a taxa de poupança é mais que o dobro da (taxa) brasileira. O chinês poupa 30% do seu salário”, afirma Luiza.
Em 2015, uma pesquisa nacional encomendada pela mesma instituição afirma que o brasileiro quando poupa, o faz para consumir ainda mais e não para formar um fundo de reserva. O estudo também revela que, entre aqueles que têm o hábito de guardar dinheiro, a maioria tem perfil conservador e prefere investimentos mais seguros, que não ofereçam muitos riscos, como a caderneta de poupança.
Os responsáveis pela pesquisa questionaram a um grupo de consumidores quantos deles conseguiram poupar alguma quantia no mês anterior. A maioria dos entrevistados (54%) afirmou que não conseguiu guardar qualquer quantia, 42% disseram que conseguiram juntar alguma coisa e 3% não souberam responder.
Na contramão dos imprudentes, os racionais não são condicionados pelo consumismo e buscam sempre a melhor relação custo/benefício. Nesse caso, a funcionalidade do produto e o preço são os quesitos mais importantes. Só adquirem um item se o mesmo for útil e necessário.
Em 2010, o Governo Federal criou a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), um trabalho de mobilização em torno da promoção de ações de educação financeira no Brasil. A ENEF tem como objetivo, por meio de cursos online e campanhas, desenvolver nos brasileiros o hábito de economizar e saber investir o seu dinheiro para evitar problemas que possam desestabilizar a estrutura econômica familiar e até mesmo a economia do País.
Em médio prazo, a conscientização e o trabalho junto à população quanto à importância de economizar parte de seu rendimento e fazer investimentos é essencial. A implementação e o estímulo, desde a infância, de conceitos de educação financeira é visto por especialistas como uma boa ferramenta para reduzir o número de pessoas inadimplentes em um futuro próximo.
Fonte: www.fundacao1demaio.org.br

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